Para professores em planejamento

Para professores em planejamento
Em dias que antecedem o início do ano letivo, professores se reúnem na escola para criar ações pensando sobre quais seriam os passos corretos para desempenhar ao máximo o seu papel como educador. É um momento importantíssimo, uma vez que busca-se construir uma reflexão sobre a eficácia do seu trabalho enquanto docente.
Pensando nesses encontros, lembrei-me da obra do pensador francês Philippe Meireu Carta a um jovem professor, publicado no Brasil pela Artmed e que li em 2005. Nesse trabalho, em especial, no capítulo 4, titulado “Queremos ser eficazes, mas não em qualquer condições”, P. Meirieu evidencia que o processo de aprendizagem do aluno passa necessariamente por uma verdadeira operação mental e não por uma aquisição de reflexo condicionado, sustentado e escorado em regras prontas que o aluno não consegue compreender.
Tal afirmação apresentada pelo autor, possibilita realizar uma inferência no tocante prática docente. Os professores até sabem elaborar uma sequencia de aprendizagem, uma situação-problema, um problema-aberto ou uma auto-socioconstrução de saberes. Porém, devem ampliar seus olhares buscando ir além , percebendo o incrível protagonismo de seus alunos que aspiram se apropriar do mundo cotidiano, nos quais vivem. Será que a escola está preparando os alunos para apropriar-se do conhecimento que eles necessitam para suas vidas?
Outro ponto importante para pensar em um planejamento escolar são os “riscos da didática a qualquer preço”. Segundo P. Meirieu, existe um perigo na busca obstinada pela racionalização das aprendizagens. “Algo como uma necessidade de apoderar-se do espírito do outro e de dirigí-lo em tempo real.”
Pensando nisso, acredito ser possível repensar a prática docente e a tal eficácia do trabalho do professor sem ficar preso somente a indicativo/indicadores de êxitos escolares. Que tal um outro olhar, um outro prisma? Que tal calcular a prática da cidadania entre os alunos? Que tal conseguir avaliar suas capacidades de argumentações quando são injustiçados? Ou mesmo que tal avaliá-los além dos muros escolares, quando falam como sujeitos de uma história e não apenas como alunos?
Buscando essas situações, talvez realmente seja necessário repensar o sistema avaliativo da escola… Quem sabe seria possível encontrar mecanismos para mensurar a busca das verdades, o pensamento crítico, a referência a história e a cultura, o cuidado com a precisão e a perfeição e o acesso a autonomia dos alunos?
Talvez pensar a escola diferente seja uma postura utópica ou a crença em uma  grande epopéia. Mas, por outro lado, acredito que os professores tem em suas mãos e mentes a incrível capacidade de transformar mundos e criar grandes possibilidades de realizações em seus alunos. Para isso é importante que os docentes se coloquem como questionadores as imposições que ainda se faz, cada vez mais presente, nos sistemas educacionais dos famigerados modelos liberais de ensino. Professores, construam seu projeto de ensinar, coloquem seus saberes em prática oportunizando o sucesso de seus alunos. Assim um professor libertário nunca morre! Vai viver sempre nos corações e mentes de seus alunos!
Escrito por Fabio Augusto de Oliveira Santos e publicado no blog SementesDeMentes

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